A Temporalidade!
- Fernando Ribeiro Rorró

- 25 de abr.
- 1 min de leitura
Tenho a certeza, com certo orgulho e satisfação, de ter nascido em um tempo em que os valores familiares eram como alicerces firmes, sustentando cada passo dado dentro de casa.
Desde cedo, aprendíamos a respeitar os mais velhos, eram faróis que iluminavam nosso caminho e, na inocência da infância, até as brincadeiras de “médico” carregavam limites que hoje parecem quase irreais.
Naquele tempo, o casamento não era apenas uma união, mas um ritual de honra.
Para ser legitimado diante da família e da comunidade, havia toda uma liturgia silenciosa: a cama bem arrumada, o lençol branco estendido como testemunha muda, e uma senhora respeitada incumbida de preparar o cenário.
Na manhã seguinte, vinha a chamada “prova dos nove”, não apenas um ato íntimo, mas um veredito social, anunciado aos quatro ventos pelas línguas afiadas: confirmava-se que a jovem havia, de fato, saído da casa dos pais como mulher honrada pelo marido.
Era bem assim!
Mas o tempo, esse escultor incansável, tratou de redesenhar costumes e valores.
A evolução dos comportamentos, sobretudo no campo da sexualidade, chegou como uma enxurrada, levando consigo antigas certezas.
E muitos de nós, inclusive eu, ficamos à margem dessa correnteza, observando o novo mundo se formar à distância.
Hoje, ao revisitar esse tema, percebo que se trata de um capítulo já superado pela contemporaneidade, embora ainda ecoe na memória como um retrato de uma época que moldou quem somos.


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